Espondilite Anquilosante: o que há de novo, por que o tratamento importa e como buscar ajuda

Espondilite Anquilosante: o que há de novo, por que o tratamento importa e como buscar ajuda

Espondilite Anquilosante: informação, tratamento e o que mudou nos últimos anos

A espondilite anquilosante (EA) não é uma doença rara, nem silenciosa — ela apenas costuma ser mal compreendida e diagnosticada tarde demais. Afeta principalmente adultos jovens, em idade produtiva, e tem impacto direto na qualidade de vida, no trabalho, no sono e nas relações pessoais.

Nos últimos anos, porém, algo importante mudou: a medicina passou a entender melhor a doença, novos tratamentos surgiram e os direitos do paciente começaram a ganhar mais visibilidade. Este artigo tem um objetivo claro: informar, orientar e incentivar a busca por tratamento adequado.


O que é a espondilite anquilosante (EA)

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que faz parte do grupo das espondiloartrites. Ela afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, mas pode atingir também ombros, quadris, joelhos e outras articulações periféricas.

Diferente da dor mecânica comum, a dor da EA tem um padrão típico:

  • Piora em repouso, especialmente à noite e de madrugada
  • Vem acompanhada de rigidez matinal prolongada
  • Melhora com movimento e atividade física leve

Com o tempo e sem tratamento adequado, a inflamação pode levar à perda de mobilidade, calcificação de ligamentos e até fusão de vértebras. Por isso, diagnóstico precoce não é detalhe — é estratégia.


Por que tanta gente demora para ser diagnosticada

Um dos grandes problemas da EA é que ela costuma ser confundida com “dor nas costas comum”, estresse, má postura ou esforço físico. Muitos pacientes passam anos ouvindo que “é só muscular” ou que “vai passar”.

O resultado disso é atraso no tratamento e progressão da doença. Hoje já se sabe que iniciar o tratamento cedo pode reduzir inflamação, preservar mobilidade e melhorar muito a qualidade de vida.

Atualmente, inclusive, especialistas defendem o uso do termo “espondiloartrite axial”, pois nem todos os pacientes evoluem para anquilose total da coluna. Isso ajuda a reduzir o medo e amplia a compreensão do espectro da doença.


Avanços recentes no tratamento da espondilite anquilosante

Aqui está uma boa notícia: o tratamento da EA evoluiu bastante. Até alguns anos atrás, as opções eram limitadas basicamente a anti-inflamatórios e fisioterapia. Hoje, o cenário é outro.

1. Anti-inflamatórios ainda são importantes, mas não resolvem tudo

Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) continuam sendo usados para controle da dor e da rigidez, especialmente nas fases iniciais. Eles aliviam sintomas, mas não modificam a doença a longo prazo.

2. Medicamentos modificadores da doença (DMARDs)

Medicamentos como a sulfassalazina passaram a ser usados principalmente quando há comprometimento de articulações periféricas, como ombros e joelhos. Eles não aliviam a dor imediatamente, mas atuam reduzindo a atividade inflamatória ao longo do tempo.

3. Terapias biológicas e medicamentos-alvo

Este foi o grande divisor de águas. Biológicos como os anti-TNF e anti-IL-17, além de medicamentos orais mais modernos (como inibidores de JAK), trouxeram controle real da doença para muitos pacientes que antes não respondiam a nada.

Nos últimos anos, novos medicamentos foram aprovados e discutidos no Brasil, ampliando o leque terapêutico. Isso significa mais opções, mais individualização do tratamento e melhores resultados.


Tratamento não é só remédio

Mesmo com toda a evolução medicamentosa, o tratamento da EA continua sendo multifatorial.

Inclui:

  • Acompanhamento regular com reumatologista
  • Exercícios de mobilidade e alongamento orientados
  • Fortalecimento muscular e correção postural
  • Educação do paciente sobre a própria doença

A ideia não é “evitar movimento”, mas exatamente o contrário: movimento inteligente é parte do tratamento.


Direitos do paciente com espondilite anquilosante

Muita gente não sabe, mas a EA é uma doença reconhecida legalmente. Isso significa que o paciente pode ter direitos importantes, dependendo do grau de limitação funcional.

Entre eles:

  • Acesso a medicamentos pelo SUS ou plano de saúde
  • Afastamento pelo INSS em períodos de incapacidade
  • Adaptação do ambiente de trabalho
  • Reconhecimento como pessoa com deficiência, em casos específicos

Esses direitos não são automáticos. Eles dependem de documentação médica adequada, laudos bem feitos e acompanhamento regular.


Conscientização e informação salvam mobilidade

Campanhas de conscientização vêm crescendo no Brasil, como o Dia Mundial da Espondiloartrite Axial, celebrado em 7 de maio, e ações educativas promovidas por sociedades médicas.

Essas iniciativas têm um objetivo claro: fazer com que o paciente procure ajuda cedo e não normalize a dor crônica.

Dor constante, rigidez matinal prolongada e dificuldade para dormir não são normais, especialmente em pessoas jovens. Ignorar esses sinais custa caro no futuro.


Uma mensagem direta para quem sente dor e ainda não buscou ajuda

Se você sente dor que piora à noite, acorda rígido, melhora ao se movimentar e convive com isso há meses ou anos, procure um reumatologista.

Não é fraqueza, não é exagero e não é “coisa da idade”. É o seu corpo pedindo atenção.

Hoje existe tratamento. Existe ciência. Existe perspectiva. Mas nada disso funciona se a doença continuar sendo ignorada.

Informação é o primeiro passo. Tratamento é o segundo. Qualidade de vida é a consequência.

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